Secom traz debate sobre a mulher no jornalismo
- Isabela Rodrigues dos Santos
- 12 de jul. de 2022
- 2 min de leitura

A 42ª Secom trouxe mais uma conversa importante para a sociedade atual: os desafios da mulher no jornalismo. Reunindo grandes nomes do jornalismo feminino como Laurene Santos, Keila Guimarães e Kelma Jucá, esse bate-papo promoveu reflexões dobre os problemas enfrentados pelas mulheres em atuação na comunicação, em especial, no jornalismo. O evento aconteceu na quarta-feira, dia 01 de setembro no canal do YouTube da TV UNITAU e já conta com mais de 330 visualizações.
Durante a conversa uma pauta foi o ataque sofrido pela repórter Laurene Santos da TV Vanguarda por parte do presidente da república Jair Bolsonaro. Sobre o acontecido, Laurene afirma “Foi uma coisa inesperada porque eu fiz uma pergunta relativamente simples. Foi uma pergunta corriqueira que eu teria feito pra qualquer autoridade”. Na opinião da estudante de jornalismo Ingrid Garcez o ato foi lamentável. “Além de ferir a liberdade de imprensa, o presidente atacou a jornalista enquanto mulher no seu local de trabalho. Sim, acontecem ataques a homens e mulheres, mas quando fazemos um comparativo das situações, o desrespeito com pessoas do sexo feminino é muito maior.”
Para a assessora de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária Kelma Jucá, o debate sobre a desigualdade de gênero na comunicação deve acontecer e com mulheres no lugar de fala. “Falar sobre os desafios das mulheres no jornalismo nos dias atuais é importante porque ainda estamos superando diferenças de gênero no mercado de trabalho. Então, levantar a discussão é relembrar do que precisamos melhorar. E nesse debate, se a mulher tem posição de fala, o homem precisa estar na posição de escuta. Importante observar ainda que uma discussão do tipo coloca futuras jornalistas mulheres em reflexão de forma que possam estar mais preparadas para o que irão encontrar no mundo corporativo.”
A roda de conversa também girou em torno do cenário político atual. Tanto a estudante Ingrid Garcez quanto a jornalista Kelma Jucá acreditam que o cenário político tem influencia na desigualdade de gênero dentro do jornalismo. “O perigo de termos no posto de maior autoridade do Brasil um homem que faz comentários grosseiros contra a mulher é que ele endossa e dá representatividade a outros homens (mulheres, inclusive!) que pensam como ele e isso acaba por refletir nas nossas relações de trabalho e interpessoais” afirma Kelma. Já para Ingrid “A partir do momento em que o próprio presidente dá declarações públicas ofensivas a mulheres, todo o resto desanda. Isso dá margem para que a população no geral sinta-se no direto de seguir o exemplo. Com todo o discurso de ódio voltado para mulheres, nossa luta acaba ficando ainda mais difícil.”



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